"Queria desaparecer de verdade"
Essa foi a frase com a qual você me acordou, naquela manhã de sábado, às 6:43, quando você ainda não tinha dormido. Eu estava inerte, no meu mundo, no meu planeta, na minha vida, tranquila ! Tranquila seguindo sem que ninguém pudesse me impedir, sem dores, sem cortes, respirando pela primeira vez com meus próprios pulmões.
Inspirando outros, outras, vivendo outras coisas, outras vidas. Simplesmente livre, longe do seu sufoco e da sua pressão, sua mania de me cobrar uma posição que nem eu sei se existe.
Mas, como sempre, você me acordou. Me acordou já desejando ir, já me colocando em uma posição como se não fosse você. Como se o que tudo aqui é dito, fosse eu.
Lembra quando te disseram que eu sou você ?! Que você sou eu ?! Que tudo isso é a mesma coisa ?! Você se sentiu uma menina, né ?! Uma menina pequena, que vive fantasiando, se escondendo, inventando algo tão tonto que só você achava legal. Foi uma sacudida pra realidade.
Agora, quem vai te sacudir sou eu !
Não culpe ninguém por não olharem seus olhos chorosos, seu lado esquerdo fudido, sua dor de estômago, sua insônia, seu medo, sua inquietação, toda essa merda que te cansa e que me cansa muito mais ! Porque sempre acaba caindo pra mim, pro meu lado, e não pra você, que fica criando histórinhas enquanto quer gritar e se jogar de alguma ponte, ao mesmo tempo que pensa 'será que sei voar ?', sabendo que não, que só sabe cair. Vida todo mundo tem, só você que não. Dor todo mundo sente, não é só você, não ! Não culpe ninguém e nem queira que ninguém sinta dó de você, menina. Você precisa do mundo e de todo mundo, mas não devia, porque nem o mundo e nem ninguém no mundo precisa de você.
Vou preparar as coisas aqui enquanto você tenta dormir.
Hoje, mais tarde, quem vai te acordar sou eu.
Acordar pra desaparecer.
PENSÁ Y DECÍ, LENA.
sábado, 15 de janeiro de 2011
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Tempo.
Estou abrindo mão, desistindo. Vou sair fora, me mudar por um tempo, engolir o orgulho, pegar as malas mal feitas, esquecer roupas, sapatos, pertences por aí, por todos os cantos, por todas as casas, por todas as vidas. Vou me deixando, assim, de migalha em migalha, de grão em grão, em cada bico, em cada boca, em cada perna, em cada mão, em cada abraço, em cada visão.
Aos que não me conheceram, prometo voltar. Aos que me tiveram, adeus. Aos que me amam, que deixem de amar. Aos que odeiam, continuem o veneno.
E você, menina, que me olhou nos olhos todas as vezes que olhou no espelho. Que me abraçou, sozinha, todas as vezes que a solidão foi nosso único companheiro. Que enxugou nossas lagrimas, que esperou uma palavra minha, que quis se matar de desgosto por tantos pensamentos loucos que te fiz ter. Você, eu quero que saiba, não estou te deixando.. estou te dando um tempo.
Mas não pense que é por você, a bondade ainda não chegou em nossos corações.
Só estou abrindo mão...
Aos que não me conheceram, prometo voltar. Aos que me tiveram, adeus. Aos que me amam, que deixem de amar. Aos que odeiam, continuem o veneno.
E você, menina, que me olhou nos olhos todas as vezes que olhou no espelho. Que me abraçou, sozinha, todas as vezes que a solidão foi nosso único companheiro. Que enxugou nossas lagrimas, que esperou uma palavra minha, que quis se matar de desgosto por tantos pensamentos loucos que te fiz ter. Você, eu quero que saiba, não estou te deixando.. estou te dando um tempo.
Mas não pense que é por você, a bondade ainda não chegou em nossos corações.
Só estou abrindo mão...
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
...
Difícil mesmo é aguentar quando o choro não quer fluir.
Ela se afoga em lágrimas escuras.
Tudo borbulha, mas sem espacinho para sair.
Panela de pressão sendo aberta sem ter passado pela água fria.
Conte até dez,
ela vai explodir.
Ela se afoga em lágrimas escuras.
Tudo borbulha, mas sem espacinho para sair.
Panela de pressão sendo aberta sem ter passado pela água fria.
Conte até dez,
ela vai explodir.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Bilhete perdido.
"Meu querido,
A noite foi larga, e em toda a eternidade dessa noite desejei que você fosse embora. Não aguentava mais o seu cheiro, o seu peso, o seu barulho atormentando a minha cabeça.
Pensei que fosse enloquecer.
Tenho a mente feita um desastre, é pura confusão. Confusão causada por você e essa mania de gostar de me ver sofrer, chorar, gritar, me machucar, sufocar ! Você e esse seu humor sádico e doentiu, que aperta dificultando a minha respiração, fazendo com que o meu corpo se encha de desespero. Sussurrando em minha cabeça, embaralhando pensamentos, fazendo vozes, doendo.
Me cansando a cada segundo no qual vivo e convivo com você, sem que ninguém perceba.
Ver você aqui, ao meu lado, faz com que a noite fosse infernal como todas as noites que passamos juntos. Sempre tento ignorar, pensar em outras coisas, em que vai passar, em que logo você se vai, mas sempre falho e me rendo as tuas ameaças, e choro.
Porém, eu, só, essa noite não chorei, não falei, não gritei com você. E por um minuto pensei encontrar a solução para nossos problemas, mas nem provei. Desisti ao pensar no outro, no que move meus sentimentos puros. Ele que diz que tenho que ser forte, e que você me quer fraca.
Acho que tem razão, ainda que não exista razão em nada que se refere a nenhum de nós, afinal, nem sei muito bem como se brinca de razão.
Queria te abandonar.
Então, porque não o faço ? Ora, vamos, como se você não soubesse ! Não consigo. É meu maior desejo, mas meu maior fracasso. Você sabe como já tentei te ignorar, já tentei não pensar, já tentei me afastar de tudo e de todos, de você e até de mim. Mas, como castigo, você sempre esteve alí, aqui, em todos os lados ! Encosto ruim, maldito, pega seu rumo e desaparece !
Nem que seja para eu me perder mais ainda e nunca mais me achar."
A noite foi larga, e em toda a eternidade dessa noite desejei que você fosse embora. Não aguentava mais o seu cheiro, o seu peso, o seu barulho atormentando a minha cabeça.
Pensei que fosse enloquecer.
Tenho a mente feita um desastre, é pura confusão. Confusão causada por você e essa mania de gostar de me ver sofrer, chorar, gritar, me machucar, sufocar ! Você e esse seu humor sádico e doentiu, que aperta dificultando a minha respiração, fazendo com que o meu corpo se encha de desespero. Sussurrando em minha cabeça, embaralhando pensamentos, fazendo vozes, doendo.
Me cansando a cada segundo no qual vivo e convivo com você, sem que ninguém perceba.
Ver você aqui, ao meu lado, faz com que a noite fosse infernal como todas as noites que passamos juntos. Sempre tento ignorar, pensar em outras coisas, em que vai passar, em que logo você se vai, mas sempre falho e me rendo as tuas ameaças, e choro.
Porém, eu, só, essa noite não chorei, não falei, não gritei com você. E por um minuto pensei encontrar a solução para nossos problemas, mas nem provei. Desisti ao pensar no outro, no que move meus sentimentos puros. Ele que diz que tenho que ser forte, e que você me quer fraca.
Acho que tem razão, ainda que não exista razão em nada que se refere a nenhum de nós, afinal, nem sei muito bem como se brinca de razão.
Queria te abandonar.
Então, porque não o faço ? Ora, vamos, como se você não soubesse ! Não consigo. É meu maior desejo, mas meu maior fracasso. Você sabe como já tentei te ignorar, já tentei não pensar, já tentei me afastar de tudo e de todos, de você e até de mim. Mas, como castigo, você sempre esteve alí, aqui, em todos os lados ! Encosto ruim, maldito, pega seu rumo e desaparece !
Nem que seja para eu me perder mais ainda e nunca mais me achar."
domingo, 29 de agosto de 2010
Ser o que são.
Sou choro. Sou surto. Sou tristeza. Sou solidão. Sou fracasso. Sou vazio, escasso.
Sou opaco. Sou sal. Sou amargo. Sou infelicidade. Sou atrocidade, embriaguez.
Sou loucura. Sou ansiedade. Sou estupidez. Sou grosseria. Sou desagradecimento, esquecimento.
Sou peso. Sou confusão. Sou indecisão. Sou grito. Sou solidão, escuridão.
Sou desgraça. Sou de graça. Sou o que não presta. Sou nada, ninguém.
Sou o que todos são, sou só na multidão.
E só.
Sou opaco. Sou sal. Sou amargo. Sou infelicidade. Sou atrocidade, embriaguez.
Sou loucura. Sou ansiedade. Sou estupidez. Sou grosseria. Sou desagradecimento, esquecimento.
Sou peso. Sou confusão. Sou indecisão. Sou grito. Sou solidão, escuridão.
Sou desgraça. Sou de graça. Sou o que não presta. Sou nada, ninguém.
Sou o que todos são, sou só na multidão.
E só.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
PS:
Acho que nos mesclamos demasiado, já quase não conseguimos nos separar em nossos textos. Somos como siamesas, mas como todo ser humano temos diferenças, basta você percebê-las.
Porém, há certos sentimentos que não conseguimos controlar, afinal não sou nenhum poeta português, não sei me dividir em mil.
Sou mil, mas sou uma.
Perdoe-me a confusão.
Porém, há certos sentimentos que não conseguimos controlar, afinal não sou nenhum poeta português, não sei me dividir em mil.
Sou mil, mas sou uma.
Perdoe-me a confusão.
Busquei, busquei e sigo.
Aqui, sigo aqui, buscando.
O que ? Me perguntou o espelho. O que você tanto busca ? Algo que nem ao menos acredita mais ? Algo que pensa que vai te cansar, te frustrar, te entristecer, enfurecer, derrubar ? Procura algo que sabe que um dia vai acabar ?
Eu procuro alguém. Respondi, com todos os dois olhos cheios de água salgada, dessas que derramo ás vezes por culpa da outra que não se controla.
Ora ! Exclamou o espelho. Ora essa ! Procura alguém quando nem a você mesma conseguiu encontrar ? Que tolice !
Mas já sei o que procuro !
Sabe ?
Sei, procuro a ele, ao tampão do meu vazio.
Ah sim ? E porque você, tola assim, acredita que outro vai tampar esse vazio que você insiste em ter ? Esse vazio que não deveria existir, menina. Não deveria existir !
O apunhalei, não deveria mesmo e eu sei, mas não sei de onde veio e não sei porque não quer parar. Sou eu, eu sou esse vazio, espelho idiota. Eu sou todo esse vazio que ninguém vê ! Eu sou todo esse vazio que negam, que escondem, que fingem, que finjo não ser. Finjo ser cheia e viva, mas estou vazia e morta. E, por favor, eu sei que procurar alguém não é a solução, porque já não acredito. Ainda que ela, a outra, acredite que sim, mesmo que não queira admitir para não parecer tão patética. A outra acredita sim, que um dia o vazio vai acabar. Mas eu, Magdalena, sei que não e lhe digo que não. Mas é tola, acredita em qualquer coisa.
Os caquinhos me olharam, desafiadores e fortes. Se não parar com isso, nunca vai encontrar e para sempre vai ser vazia assim, Lena.
Me olhei em cada pedaço, a vi. É, ela não é tão vazia como eu pensava.
O que ? Me perguntou o espelho. O que você tanto busca ? Algo que nem ao menos acredita mais ? Algo que pensa que vai te cansar, te frustrar, te entristecer, enfurecer, derrubar ? Procura algo que sabe que um dia vai acabar ?
Eu procuro alguém. Respondi, com todos os dois olhos cheios de água salgada, dessas que derramo ás vezes por culpa da outra que não se controla.
Ora ! Exclamou o espelho. Ora essa ! Procura alguém quando nem a você mesma conseguiu encontrar ? Que tolice !
Mas já sei o que procuro !
Sabe ?
Sei, procuro a ele, ao tampão do meu vazio.
Ah sim ? E porque você, tola assim, acredita que outro vai tampar esse vazio que você insiste em ter ? Esse vazio que não deveria existir, menina. Não deveria existir !
O apunhalei, não deveria mesmo e eu sei, mas não sei de onde veio e não sei porque não quer parar. Sou eu, eu sou esse vazio, espelho idiota. Eu sou todo esse vazio que ninguém vê ! Eu sou todo esse vazio que negam, que escondem, que fingem, que finjo não ser. Finjo ser cheia e viva, mas estou vazia e morta. E, por favor, eu sei que procurar alguém não é a solução, porque já não acredito. Ainda que ela, a outra, acredite que sim, mesmo que não queira admitir para não parecer tão patética. A outra acredita sim, que um dia o vazio vai acabar. Mas eu, Magdalena, sei que não e lhe digo que não. Mas é tola, acredita em qualquer coisa.
Os caquinhos me olharam, desafiadores e fortes. Se não parar com isso, nunca vai encontrar e para sempre vai ser vazia assim, Lena.
Me olhei em cada pedaço, a vi. É, ela não é tão vazia como eu pensava.
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